Dois labradores - um amarelo e outro chocolate - estão deitados na grama num dia ensolarado.
- Porque os humanos fazem tanto por nós, cães? - O labrador chocolate pergunta.
- Não pense que todos os humanos são assim. Eles fazem porque criaram laços conosco. Laços de amor. E isso só é possível se o humano tem caráter. - O labrador amarelo reponde, olhando para a paisagem de meio dia.
- Como assim? Todos os humanos são bons conosco. Eles são humanos. Os outros, não. Estes não tem, como você mesma disse, caráter. Não podem ser considerados humanos, são apenas seres.
A reposta do chocolate deixou o amarelo intrigado. Olhou para ele e concordou.
- Tem razão. Se estes seres não respeitam nem os mais inocentes, os animais considerados irracionais, imagine o que podem fazer com os de sua própria espécie. Isso com certeza não é ser humano.
- Exatamente. Mas não entendi o tal de laço.
- É algo complicado. Inexplicável, até. Geralmente, é muito mais fraco dos cães para humanos que o dos humanos para humanos, mas acaba que a teia que se forma na criação desses laços desencadeia na formação do caráter; na criação do sentido de cidadania, e principalmente, no respeito com a mãe natureza; a vida. - O labrador amarelo deu um suspiro e abaixou a cabeça. Se pudesse, suas feições formariam um sorriso. Mas o labrador chocolate entendeu o recado.
- O amor seria a junção disso tudo?
- A junção e a matéria prima.
Uma pausa.
- Agora entendi porque é tão complicado. Não é algo que você pode controlar, nem criar. Mas mesmo assim você pode construir.